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Page history last edited by Lidiane 2 years, 6 months ago

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Já vivi duas experiências com relação à crianças com necessidades especiais.

 A primeira foi ainda quando adolescente. Tinha uma amiga que tinha um irmão mais novo com deficiência auditiva.Convivi muito com ele.

 Ao perceberem o quanto eu me identificava com ele, a família me ofereceu um curso de libras para que nos entendessemos melhor. Além do curso o menino, do qual chamarei aqui de Juliano, para preservar sua identidade, me ensinava um pouco do seu mundo e das suas limitações. Alguns sinais utilizados pela família também começaram a fazer parte dos nossos diálogos.

 Passado algum tempo, a família precisava de uma pessoa que cuidasse do Juliano no turno inverso ao de sua escola.E precisava ser uma pessoa de confiança e transmitisse segurança a ele. Foi então que automaticamente, fui convidada a desempenhar esse papel. Levava Juliano a todos os lugares comigo e éramos muito compnheiros.

Sua deficiência auditiva era fruto de uma síndrome rara aqui no Brasil, cujo um dos aspectos importantes é uma deformidade do rosto com uma mancha avermelhada na pele , próximo a um dos olhos. 

 Às vezes, por não se fazer se entender, ficava irritado, nervoso, e aos olhos de pessoas que não o conheciam muito bem, ele parecia que iria partir pra agressão.Mas isso nunca aconteceu.

 Nessa época eu já realizava meu curso de magistério e era muito feliz!!!! Essa foi uma parte muito importante da minha história de vida, que guardo com muito carinho.Faz bastante tempo que não nos vemos, mas ainda me recordo de tudo com muito carinho! 

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A outra experiência vivida por mim foi já na sala de aula, há uns quatro anos atrás, aproximadamente.

  Recebi, no primeiro ano de uma escola ciclada, uma aluna a qual chamarei de Vitória.

  Vitória tinha dificuldades na coodernação motora fina e ampla. Isso era percebido até mesmo na sua maneira de caminhar. Não falava quase, e o que falava pouco era entendido. A família ao ser inadagada sobre o assunto parecia omitir a verdade, ou não aceitá-la.

  Vitória precisava de mim constantemente. E tudo o que podia lhe dar era atenção e muito carinho.Mas como fazer isso se além dela eu tinha mais 27 outras crianças necessitando de atenção?

  A história de Vitória nunca ficou muito clara para a escola, o que sabíamos apenas é que ela já tinha evadido de uma outra instituição de ensino especial, a APAE. Ao longo do tempo íamos juntando algumas peças desse quebra-cabeça, e descobrindo  fatos importantes. Parece que Vitória era vítima de combinação genética de primos de primeiro grau, segundo a mãe ainda sendo estudado por alunos da UFRGS.

  Por vezes me sentia angustiada e de mãos atadas, por não ter conhecimento específico de como agir para ajudá-la diante às suas limitações. E agia de acordo com a minha boa vontade e como os meus instintos mandavam. Fizemos muitos progressos até o final daquele ano. Vitória começou expressar-se oralmente melhor, escrevia seu nome, ia ao banheiro sozinha, fazia relatos sobre seu cotidiano, cantava e dançava do seu jeito. Os avanços na aprendizagem ainda não eram suficientes para os anos ciclos pertinentes à sua faixa etária. No ano seguinte, a colega que fora presentada com Vitória em sua turma, talvez não tenha tido o mesmo olhar, até pelas suas próprias limitações e  medo que todos nós temos frente a esta situação. E ao final deste ano Vitória não avançou para o próximo ano ciclo, a família ficou aborrecida, o que gerou muitos transtornos e conflitos para ela.

  Às vezes  ainda aparece na escola pra visitar, uma vez que suas duas irmãs ainda estudam lá. Mas Vitória está matriculada novamente em uma escola especial.

 Acredito que nós professores deveríamos ser preparados para receber esses alunos, como forma de respeito a eles. Para que realmente haja inclusão, pois, de uma certa forma, penso que eles estão sendo expostos e talvez excluídos!

  Espero que ao longo desse semestre eu mude essa minha concepção de inclusão nas nossas escolas! 

Comments (1)

Simone Ramminger said

at 11:11 pm on Apr 6, 2009

Oi Lidiane!!!
Passei aqui para ler teus relatos, que estão muito interessantes!!! Parece que tanto tu como o "Juliano" aprenderam muito um com o outro durante os anos em que conviveram. Acreditas que esse primeiro contato com uma pessoa com necessidades especiais facilitou tua interação com a "Vitória"? Fiquei curiosa para saber como os demais colegas interagiam com ela. Tenho observado nos relatos que tenho lido, que a angústia dos professores de não saber como agir e lidar com essas crianças é uma constante nas salas de aulas.
Nas próximas postagens, procura fazer relações com os textos que vocês estão lendo para a interdisciplina. Tenho certeza que construirás um belo Dossiê!
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

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